O Noel por trás do homem, o homem por trás do Noel

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O Noel por trás do homem, o homem por trás do Noel

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Aos 53 anos, Walter Tonelli, o Peteleco, construiu uma ‘carreira’ interessante: é, senão o mais lembrado, um dos Papais Noéis mais conhecidos da cidade. E não sem razão, já que vive o persona- gem há 19 anos. Sua história de bom velhinho começou, segundo ele, pelo seu envolvimento com o teatro. Natural de Engenheiro Beltrão, Peteleco nasceu e foi criado dentro de um circo, o que o fez desenvolver, desde cedo, sua veia artística.

Até os 17 anos, quando chegou para ficar em Campo Mourão, ele participava, junto com a mãe, de esquetes de comédia no circo, como as que apresentavam Os Trapalhões. “Era tudo muito parecido. Quando fazíamos depois que eles tinham feito, falavam que tínhamos copiado, mas, quando fazíamos e só depois Os Trapalhões faziam, era um sucesso, porque todos achavam que eles tinham nos copiado. Mas era sempre a mesma coisa”, lembra, rindo.

Aqui na cidade, estabeleceu-se para trabalhar em um banco porque, segundo ele, era “muito boleiro”. O banco tinha um time forte de futebol, para participar de campeonatos, e Peteleco logo começou a fazer parte. No banco, fez um grupo de amigos que, tempos mais tarde, teve a ideia de criar o Papai Noel. Do grupo, um amigo, assistente e compadre, o acompanha até hoje, cuidando da agenda e de pequenos detalhes por trás da vida de Noel: José Quinto Neto. Com o personagem criado, aos 34 anos, Peteleco passou a investir no Papai Noel e foi a São Paulo comprar apetrechos para se apresentar nas lojas e eventos da cidade. Até trenó arrumou. O desempenho foi tamanho que logo foi chamado para ser o Papai Noel da chegada do Natal de Campo Mourão. E o foi  por dez anos. Ainda hoje faz a chegada do Natal em algumas empresas, nos Correios e em cidades como Mamborê, Barbosa Ferraz e Luiziana. Além disso, faz a entrega de presentes em muitas casas, no dia 24 de dezembro. “Começo por volta das 18h30, mas das 21h30 às 23 horas é bastante tumultuado”, comenta. Engana-se quem acredita que a entrega dos presentes é apenas para os pequenos. “Tem muito marmanjo, também, nas casas. E querem tirar fotos com o

Papai Noel”, assegura. Na data, Peteleco faz a visita de 12 a 15 casas vestido de bom velhinho.

Casa de ferreiro, espeto de pauGente-que-Cuida-4

Peteleco ajudou a manter a magia do Natal para muitas crianças. Até hoje, tem a certeza de que convence os pequenos até os seis ou sete anos, porque depois a magia já vai se perdendo. Contudo os seus filhos, Vinícius e Viviane, nunca conheceram esse lado mágico da data. “Eles sempre viam eu me arrumando e nunca souberam o que é a magia do Natal. Para eles, o Papai Noel sempre fui eu”, conta. E agora, lamenta Peteleco, não adianta mais, porque os filhos são adultos e a fase já passou. “Mas o Papai Noel é do mundo, mesmo”, completa. Com o tempo de carreira, Peteleco está cansado e, por vezes, pensa em parar com o personagem. Até mesmo porque, muitas vezes, deixa de desenvolver outras atividades porque já tem o tempo tomado pelo Noel. “Mas às vezes não tem como parar, as pessoas pedem para ir e eu vou. São as pessoas que me motivam a continuar”, conta. Contudo, Peteleco lembra que a vida é feita de ciclos e que uma hora eles têm que se fechar. Curioso é que, independente da época do ano, é frequente pararem Peteleco nas ruas, no mercado, em qualquer lugar para falar, para os filhos: ‘olha ali o Papai Noel’. A diversão é certa. E os amigos também aproveitam para fazerem brincadeiras, sempre que podem.

 Papai Noel também chora

Peteleco lembra que manter a magia do Natal e a magia do Papai Noel são coisas diferentes, já que o bom velhinho foi criado comercialmente. Mesmo assim, garan- te que é emocionante ver a reação das pessoas quando o veem de Noel. “Às vezes as crianças têm medo da figura do Papai Noel, mas mesmo assim querem ficar. E não é só criança, avós, tias, o pessoal mais de idade se emociona com a chegada do Papai Noel”, comenta. “É natural que eu também me emocione”, salienta. Quando chega nos lugares, Peteleco tem uma diversidade de sentimentos, mas a alegria é sempre muito grande.

Além do Noel

Não é só de Papai Noel que vive o Peteleco. Ele também toca percussão, cozinha – muito bem, para o contentamento da esposa, Vera – há mais de 30 anos, gerencia um restaurante, já trabalhou em banco e teve uma serigrafia, além de encabeçar projetos pessoais. Para Peteleco, as pessoas o conhecem porque tem muitas amizades. E, mesmo que não seja fácil definir a si mesmo, ele resume: “amigo dos amigos, pai de família e trabalhador”.

Para aqueles que almejam encarar a carreira de bom velhinho, Peteleco ensina que é necessária uma postura adequada. “O Papai Noel precisa ser sereno, uma figura imponente e bem vestida, sem bota rasgada ou camisa aparecendo por baixo, sem nada que denigra a imagem”, comenta. “Também é interessante uma barba bacana, não muito falsa, e a voz”, garante. Para Peteleco, é preciso saber como entonar o clássico ‘HOHOHO’. “Eu considero isso. Criei um personagem e interpreto dessa maneira, é o que acredito que faz a diferença”, pontua. Com tanto tempo de estrada, alguém duvida que esteja certo?

Texto: Paula Fernandes

Fotos: Paula Fernandes, Dani Queirós e acervo pessoal