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Iniciar um curso de doutorado é uma decisão não muito fácil, especialmente quando você não é professor e mora em um país onde cargos para pesquisado- res são raros. Então por que, nessas condições, iniciar um curso de pós-graduação que tanto exige em termos de comprometimento, estudo e paciência??

Vejamos, primeiramente, a trajetória de um estudante…  Após passar árduos quatro ou cinco anos para se formar, a primeira problemática a enfrentar é a do primeiro emprego. A maioria consegue um emprego com remuneração que está mais para estágio.

A minoria, minoria mesmo, consegue o emprego tão almejado. Já alguns, no ímpeto de “abrir mais portas”, vai para a pós-graduação stricto sensu (mestrado e doutorado), e aí começa a batalha!

Para ter êxito e maior tranquilidade durante o mestrado, é fundamental que não se trabalhe, restando concorrer a uma bolsa de estudos do governo, mais especificamente, da Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior), no valor de R$ 1.500,00. Se for um estudante solteiro, ainda com espírito de universitário, vai se virar bem, morar em uma república, comer nos RUs da vida! E quando ele estiver quase em tempos de defender sua disserta- ção, com menos cabelos na cabeça e mais rugas na testa, verá que alguns amigos que se formaram com ele já estão progredindo em seus empregos, em suas carreiras, e ele continua como “estudante”… mas se sente tão confiante e orgulhoso de sua pesquisa e de seu título de mestre que não pensa duas vezes: “quero ser doutor!

Mais quatro anos de muita pesquisa, de artigos para publicar, de congressos para participar, de créditos para cumprir… mais quatro anos de muito estudo, e pouco dinheiro, e ainda corre-se o risco de ouvir de outrem: “quem dera eu estivesse ganhando só para estudar”… SÓ para estudar, foi isso mesmo que ouvi? É nesse momento em que muitas coisas surgem na mente. A primeira, claro, é a vontade de dar uma resposta à altura do comentário imperti- nente; mas aí é preciso respirar e manter a postura de futuro doutor, afinal, só quem faz uma pós stricto sensu sabe como um “você só estuda?” pode ser ingrato e arrasador. A segunda coisa que surge são reflexões do tipo: “será que escolhi certo minha carreira? Será que já deveria estar com um emprego?” No entanto, enquanto pesquisador, você sabe o real valor de sua investigação, e o quanto ela pode beneficiar outras pesquisas. Esse pode ser o grande motivo para continuar!

A bolsa da Capes é de R$ 2.200,00 para doutorado. Para aquele estudante que ainda é solteiro, vai continuar no ritmo do mestrado. Acontece que é mais ou menos na idade do doutorado que aqueles que desejam constituir família o fazem. E aí? O que fazer com um título de mestre e quase doutor? Fazer o que você nunca fez ou quis fazer na vida: ser professor! Pode ser que outras coisas não desejadas sejam ouvidas, como: “mas se você não queria ser professor, por que está fazendo doutorado?” É… por quê?

Talvez grande parte dos professores doutores não planejaram a docência para a vida. No entanto, a academia é o melhor lugar para ser pesquisador, em nosso país. É claro que o professor não vai ganhar nada a mais por fazer pesquisa com seus alunos.

1Priscilla Teixera Mamus, 30 anos Natural do Parána e residente de Campo Mourão doutoranda em Estudos Linguísticos na Universidade Estadual de Maringá e técnica em Assuntos Educacionais na Universidade Tecnológica Federal do Paraná. Mas para quem primeiro escolheu a pesquisa, e só depois a profissão, é um bom caminho. Sem falar que grandes pesquisadores podem se tornar grandes mestres.

 Além da docência, uma grande vantagem em ser doutor é para os que desejam fazer concurso público. O salário de um servidor federal pode ter um aumento considerável conforme sua titulação.   Enfim, ao escolher fazer doutorado, é fundamental: se não tiver carreira definida, é preciso avaliar as possibilidades existentes em sua área após a defesa da tese; se já tem carreira definida, avaliar se o doutorado trará benefícios; ter comprometimento, disciplina e determinação; gostar muito do tema da pesquisa com o qual irá conviver por quatro anos!


Texto: Priscila Teixeira Mamus (Doutoranda em estudos Línguisticos- UEM)

Foto: Dani Queiroz

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