Campo Mourão tem cerca de 600 cachorros e gatos que vivem em abrigos improvisados. Para o tratamento digno desses animais, doações são fundamentais, porém mínimas. Mesmo com as dificuldades, um grupo de voluntários luta e atua em prol de melhorias.

O carinho e o cuidado que muitos cachorros e gatos não encontraram em suas famílias ou com seus doadores, encontram nos abrigos que existem espalhados em Campo Mourão. O município possui atualmente oito abrigos e trinta lares temporários que funcionam de modo improvisado e acolhem aproximadamente 600 animais. O problema é que os abrigos estão superlotados, os voluntários são poucos e os recursos disponíveis para o trabalho são mínimos se comparados os números apresentados.

O trabalho em prol dos animais é realizado por um grupo pequeno de voluntários que integram a Associação dos Protetores dos Animais Independentes (PAIS), uma organização que atua na proteção, defesa e cuidado de animais em sofrimento. A principal missão é buscar a recuperação dos animais e encontrar um lar para os mesmos.gato

Sem fins lucrativos e com objetivo de oferecer atenção digna aos abrigados, a associação vê na doação a principal forma de manter suas ações. Somente para alimentação dos abrigados estima-se que seja necessário um total de 6 toneladas de ração por mês, o que está longe de ser alcançado.

Segundo a vereadora, Elvira Schen Lima, uma das apoiadoras da causa animal em Campo Mourão, para manter os cachorros e gatos alimentados os  abrigos dependem de doações e do auxílio financeiro dos voluntários. “Um pouco ganhamos, mas a doação ainda é muito pequena. Suprimos a alimentação com dinheiro nosso ou buscamos complementar fazendo comida”, explica. As pessoas que gostam ou têm pena dos animais são as que normalmente colaboram com a manutenção dos abrigos. A maioria é de jovens estudantes tanto da educação básica quanto do Ensino Superior, bem como a população considerada mais simples. “Temos uma ajuda maior após a criação do Facebook. Até a minha eleição só foi vitoriosa por conta do trabalho com os animais. Entrei mesmo para mostrar a associação e o trabalho que fazemos. Outros ajudam quando ouvem na rádio, veem na televisão ou leem algo na imprensa”, pontua Elvira lembrando que outras colaborações são de escolas ou universidades quando realizam gincanas e uma das tarefas é a arrecadação de ração para doar aos abrigos.

Mas, além da alimentação, ainda tem a necessidade de medicamentos para os tratamentos, pois grande parte dos animais abrigados precisam se recuperar para encontrarem novas famílias. Os problemas nos abrigos Nos abrigos, os animais recebem muito mais do que afeto e alimentação. São recuperados das enfermidades e acidentes que enfrentaram, passam pelo processo de castração e são colocados para adoção. A ideia era que os espaços servissem para acomodar os animais por um curto tempo, o que não acontece. Muitos dos recupera- dos não são adotados, principalmente os idosos o que contribui para a superlotação. O mais antigo e populoso dos oito abrigos, localizado na Rua Araruna, está prestes a ser fechado. Por estar instalado em área urbana já recebeu notificações e o esforço tem sido nos últimos anos para viabilizar um local próprio e adequado para o abrigo. Os voluntários já solicitam há anos auxílio da administração municipal para a doação de um terreno, mas ainda não obtiveram resultados. “Tínhamos uma empresa que se dispôs a construir as baias e nos dar apoio, não conseguimos o terreno e até já foram embora da cidade”,lamenta-se.cachorro

A expectativa, comenta Elvira, é que em breve um terreno seja adquirido. Em negociações com a prefeita Regina Dubay e a equipe administrativa da prefeitura agora estão com três possibilidades de terrenos. Um grupo está analisando os trâmites legais para resolver o impasse. “Estamos colocando muita esperança na palavra da administração. Precisamos tirar os abrigos dos centros, porque incomodam os vizinhos e isso é muito ruim”, diz.

Outro problema em todos os abrigos é que a população ao descobrir onde funcionam abandonam os animais na porta dos locais. Se dependesse dos voluntários, não teriam tantos animais para cuidar. Como argumentam, a prática dos mourãoenses fez o número de abrigados aumentar consideravelmente.

 

Um caminho possível

Como lembra Elvira, a luta em defesa dos animais é relativamente antiga na cidade, cerca de 13 anos, mas a visibilidade do movimento se deu nos últimos tempos. Engajada no movimento ela aponta algumas medidas que podem ser adotadas para minimizar os problemas. Um deles é o apoio do poder público, pois os animais em estado de abandono representam também um problema de saúde pública. Para o controle, uma possibilidade é a realização de castrações por um período, no mínimo, de cinco anos contínuos.Pet-3

Outro ponto é que as pessoas se solidarizem mais tanto nas doações para as atividades dos abrigos, como nas adoções de animais. “Muitos acham que devem ajudar crianças e idosos, nunca os animais”, comenta. Por fim, ações educativas em parceria com as escolas falando sobre posse responsável, castração e o controle da população indesejada. “É preciso um trabalho mais amplo que também leve as crianças e os pais para conhecer a realidade do abrigo. Mostrar o antes e o depois dos animais que chegam para recuperarmos. É preciso chocar mais, pois o que o olho vê o coração sente e pensa em agir melhor”, finaliza.

Texto: Cássio Ceniz

Foto: Cleverson de Lima

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