“Lugar de ex é no vendo meus usados”

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“Lugar de ex é no vendo meus usados”

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Ex- cama; ex- calçado e ex- carro. Quando as contas apertam e se tem coisas como essas sobrando, para onde você correria? Nessa edição, a revista vida mostra um grupo de vendas do facebook que virou sucesso em campo mourão. Em resumo, um grupo em que se procura, oferta, vende, doa ou troca. Confira!

 Pg. 13Em bom estado, sem riscos, seminovo” – essas são as observações feitas sobre um produto que está sem uso e aparentemente não possui mais tanto valor. Mas em poucos minutos, vários comentários solicitando a compra do produto aparecem. Estamos falando de um grupo no Facebook que entende seus problemas: o sapato era novo, mas apertado demais; o celular fi cou fora de uso; ou a família cresceu e você precisou trocar o carro. “Vendo meu usado em Campo Mourão e Região!”, possui aproximadamente 26 mil membros. Nele, são vendidos desde objetos comuns, como eletrônicos e móveis, e até alguns mais inusitados, como gaiola para pássaros, babá eletrônica, suplementos, rádio para aeromodelismo e aplique para cabelos.

O idealizador é o estudante Eduardo Vale de Noronha, que criou o grupo em 2012, quando ingressou na faculdade. A ideia era simples: “todo semestre alunos se formavam e precisavam se desfazer das coisas, enquanto ao mesmo tempo, outros ingressam, e esses precisam das mercadorias que os outros não precisam mais” relata ele sobre o surgimento do grupo.

Com isso, no começo, o público alvo eram os alunos da faculdade, pois os principais produtos vendidos eram móveis, e a divulgação era “boca a boca” entre os amigos da faculdade. Mas com o tempo, o grupo acabou abrangendo toda população de Campo Mourão, as pessoas foram se interessando e participando do grupo sem nenhuma divulgação, e atualmente já não possuem produtos mais anunciados que outros. “O que você imaginar, tem no grupo para vender” brinca Noronha.

Para ele, o importante é também pensar numa economia alternativa, onde há possibilidade de trocas. “No grupo sempre aparecem pessoas querendo trocar ao invés de vender. Eu pensei em um grupo que ajudasse as pessoas a se desfazerem de produtos que não utilizavam mais, porém que outras pessoas aproveitassem”, explica.

E isso funcionou, pois segundo o dono do grupo, ele constantemente recebe mensagens agradecendo pela iniciativa da criação do grupo, e pessoas contando sobre bons resultados de negócios fechados. Mas como todo grupo precisa de regras de organização e normas de boa conduta para postagem, houve a necessidade de quatro mediadores para controlar alguns produtos proibidos que as pessoas tentam vender. Eduardo comenta as principais regras que caso não seguidas, podem resultar na expulsão do membro: proibido a publicação de anúncio sem valor no produto, a não ser que seja uma doação; proibido comentários que ridicularizam ou desprezam postagens alheias; proibido anunciar o mesmo produto várias vezes ao dia.

O estudante de Engenharia Ambiental e artista, Evandro Castro, tem 19 anos e é um dos membros do grupo. Ele conta que começou a participar há mais de um ano, através de um convite feito por um amigo. E desde então, já comprou roupas e vendeu dois fogões elétricos, um fogão a lenha, um microondas e uma esteira.

Responsabilidade social e sustentabilidade

 Atualmente, muitas pessoas compram o tempo todo, e alguns produtos elas nem chegam a utilizar, ou simplesmente, enjoam.  Pensando nisso,  esse tipo de grupo é, nos dias de hoje, uma fatia de mercado expressiva em razão da facilidade entre os meio de comunicação e a necessidade de venda.

Evandro comenta sobre esse tipo de mercado paralelo: “ Eu vejo essa ‘nova onda’ como um forte aliado da sustentabilidade e economia. A ideia é brilhante, pois muitas vezes temos roupas ou móveis que estão ocupando lugar e gerando bagunça em casa, mas que podem ser úteis para outras pessoas”.

Segundo ele, em grupos como “Vendo meu usado em Campo Mourão e Região”, além de práticos e fazer as pessoas economizarem, são uma forma de incentivar os usuários a adotarem a sustentabilidade em suas vidas, pois mesmo sem saber, acabam gerando um consumismo em teia, e aquilo que muitas vezes seria depositado em lixões, ou mesmo em um canto qualquer da cidade, como terrenos baldios, agora pode ser trocado, vendido ou doado, em apenas um click”.

“Posso vender aquilo que não uso mais, e além de praticar o desapego, gero lucro, e aumento a vida útil do bem material”, explica.

Texto: Desirée Georgia

Fotos: Divulgação