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“Lugar de ex é no vendo meus usados”
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Pais Tecnológicos

bebe_e_computador

Estava numa roda de amigos dias atrás, onde um dos casais exibia com orgulho o novo membro integrante da família… Discutíamos a dificuldade de ser pai e mãe, no mais ou menos mundo moderno em que vivemos. Ao questiona-los sobre como reagiam nos momentos de inquietude da criança, ambos diziam, de certa forma orgulhosos, que seus problemas se resolviam com alguns toques na tela do smartphone.

Observei curioso a reação da criança que parecia hipnotizada aos sons e movimentos de uma certa ave galinácea multicolorida. Simples assim, a atenção da criança passou a ser o telefone, e não voltaria a reclamar por algum tempo.Confesso que fique intrigado, imaginando os anos seguintes daquela criança. Se com apenas alguns meses de vida, ela já está rodeada de dispositivos e gadgets tecnológicos, como serão os anos seguintes?

Crianças tendem a gostar de computadores e celulares muito mais cedo do que deveriam. Deixam de praticar brincadeiras “saudáveis” que possibilitam a criança, coisas de crianças, ora… Correr, cair, chorar, subir, descer… Hoje ficam sentadas, vidradas com o que acontece numa tela de 5 polegadas. Veja, não estou organizando uma queima de dispositivos eletrônicos numa grande fogueira, mas devemos assumir com certa responsabilidade e receio, que as crianças de hoje poderiam conhecer um pouco mais do mundo em nós fomos criados.

Tenho certeza que aquelas brincadeiras e tarefinhas passadas pelas “Tias” do prézinho tinham algum objetivo, por mais bobo que fosse fazer colagem com bolinhas de papel crepom. Existem estudos que defendem a influência da tecnologia já nos primeiros anos de vida da criança. Justificam que o contato prematuro estimula o raciocínio e o desenvolvimento das funções cognitivas, ou seja, a criança aprende a “aprender” mais rápido.

Por outro lado, alguns estudiosos acreditam que o uso intensivo da tecnologia acaba por atrofiar a mente, suprimindo o lado criativo, a socialização e a capacidade da criança de lidar com medo e frustrações. Ao meu ponto de vista, estamos cruzando uma linha perigosa. Atingindo um limite não conhecido até então. Toda nova reação é novidade. Não sabemos qual será o resultado dessa influencia daqui 10 anos, quando nossas crianças, já adultas, tomarão as rédeas de diversas decisões. Devemos rever alguns conceitos e definir o momento do basta!

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Bruno Leonardo Bassani

É proprietário da BLB Informática & Cloud Computing, e instrutor no Senac.